Devlog · Episódio 16
Comprei uma HUD inteira e o jogo não mudou
Comprei um pacote de interface pronto e descobri que o difícil era fazer ele falar a língua do meu jogo.

Comprei uma HUD inteira e achei que o trabalho ia ser instalar e pronto. Não foi. Com o pacote de interface na mão, o jogo continuava exatamente igual. Um pacote bonito não vira interface do jogo sozinho.
O difícil era encaixar
Cada peça do pacote tinha que ocupar um lugar real: a barra de vida, o minimapa, os atalhos, o menu, a mochila. Eu testava um elemento, ele cobria a tela, eu ajustava, e outro saía do lugar. Foi um quebra-cabeça de milímetros.
Para o jogador, o problema aparece em segundos. Se a interface tampa o chão, você não vê o bicho chegando. Se o atalho fica longe do dedo, você erra a tecla na hora da luta.
Eu não queria que o jogador sentisse que estava olhando para um painel de avião. O jogo precisa parecer um lugar, e a interface é só a janela por onde você olha. Por isso testei cada tamanho de tela, do pequeno ao grande, e refiz o que ficava apertado ou vazio.

Minimapa e atalhos
O minimapa foi o primeiro a ficar bom. Antes ele era um quadrado perdido num canto. Agora ele mostra onde você está e para onde vai, sem competir com o resto da tela.

A barra de atalhos seguiu o mesmo caminho. Ficou na altura certa para o polegar e para o olho, e cada tecla está no lugar onde você espera.

O menu era outro problema. Tinha botão demais e palavra demais. Juntei o que era parecido, tirei o que ninguém usava e deixei os ícones falarem. Quem já conhece o jogo acha tudo de olhos fechados, e quem chega agora entende pelo desenho.
Menos texto, mais número
Mudei uma regra de ouro: a HUD mostra número e nome, e só isso. A explicação fica escondida, e aparece quando você passa o mouse. Assim a tela respira e quem quer entender um detalhe consegue.

Como fica jogando
Hoje a HUD cabe em monitores pequenos e em monitores grandes. Você bate o olho, vê sua vida, seu mapa e seus atalhos, e volta para o jogo. O pacote era só o começo. O trabalho de verdade foi fazer ele servir ao jogo.